sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Biografia de Vicente do Rego Monteiro

Vicente do Rego Monteiro nasceu em 1899, na cidade de Recife. Sendo de uma família de artistas, com apenas 12 anos de idade já estava em Paris cursando, por pouco tempo, a Academia Julian. Com seu talento precoce, em 1913 ele participou do Salão dos Independentes, na capital francesa. Após voltar ao Brasil realizou, em Recife, sua primeira mostra individual;
Em São Paulo entrou em contato com os artistas e intelectuais que desencadeariam a Semana de Arte Moderna, da qual participou com dez de pinturas. Logo em seguida retornou a Paris, e integrou-se a tal ponto na vida artística e cultural da capital francesa que nos anos 20, era um dos pintores estrangeiros mais conceituados na França.
Alternando praticamente toda a sua vida entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia. Em 1957, fixou-se no Brasil. passando a lecionar na Escola de Belas-Artes de Recife e na de Brasília. Quase dez anos depois, o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.
Muitas das melhores telas de Rego Monteiro perderam-se num incêndio, no fim da década de 20; Anos mais tarde, o artista tentou reproduzi-Ias de memória ou lançando mão de esboços e desenhos preliminares; mas, evidentemente, as obras perderam muito em emoção e sentimento.


Em seus melhores momentos, Vicente é pessoal, embora aparentado a outros artistas de seu tempo. Sua peculiaridade é a insistência com que abordou temas nacionais, o que o transforma em precursor de uma tendência artística latino-americana. Seu mundo de idéias oscilava entre as figuras do panteão americano e a Bíblia, os clássicos e outros temas, que tornam sua arte grave e profunda. Mas ele sentiu também, como poucos, a sedução do movimento, fascinado que era pela dança e pelo esporte e, homem de seu tempo, em determinada fase da carreira viu-se empolgado pelo não figurativismo.
Características de sua arte são a plasticidade, a sensação volumétrica que se desprende dos planos, a textura quase imaterial, de tão leve, o forte desenho, esquematizado. e a ciência da composição, que o torna um clássico, preocupado com a construção das formas.